VIDA DIFÍCIL
29 de novembro de 2015. São Paulo
Estou de olhos fechados e a única coisa que consigo imaginar é o quanto era maravilhosa. Claro! Faço parte da família Cantanhede. Meu pai, um médico bem sucedido, e minha mãe, juíza, sempre me proporcionaram uma vida boa e de bons estudos. Lembro-me de que vestia as melhores roupas pra ir a escola, e minhas amigas me invejavam muito, pelo menos era o que parecia. Aquilo me deixava feliz e poderosa.
Um dia fui à escola com uma blusa, recém-comprada das férias que passei na Disney, e uma saia rodada. Minhas meias eram de unicórnios bem fofinhos, o que chamou bastante atenção das meninas. Meu cabelo balançava bastante quando caminhava. Quando as meninas me olhavam com a boca entreaberta, o meu eu interior explodia de emoções. E os meninos? Fazia o maior sucesso com eles, mas não irei me aprofundar nesse assunto.
Pela vida magnifica e confortável que minha família me deu e momentos como esses de superioridade que me fez ser quem sou hoje. Minha personalidade sempre foi forte por conta do dinheiro que sempre tive, pois achava que era melhor que todos. Sim, sempre comprei as pessoas e dava certo.
Uma certa vez estava dirigindo pela cidade quando resolvi avançar o sinal vermelho. Infelizmente, um carro parado do lado direito tapou minha visão e atropelei uma senhora que estava atravessando a faixa de pedestre. Fiquei sem reação e fugi do local rapidamente, no entanto um rapaz, que estava de moto, me seguiu até a entrada da minha casa. Ele encurralou-me no momento que desci do carro.
- Como você é capaz de fugir do local do acidente a sangue frio? - Ele tirou o capacete indo em minha direção para me segurar.
- Me solta! - Tentei fugir de suas mãos, mas ele era mais forte - Eu iria ser presa se ficasse no local. Ninguém sabe onde moro. Eu fugi pra me proteger. - Minha respiração era ofegante e medrosa.
- Vou chamar a polícia agora, você cometeu um crime e fugiu a sangue frio.
Nesse momento fiquei desesperada e a única coisa que passava pela minha cabeça era sair dali de forma impune. Olhei fixamente para ele e tentei me acalmar, foi quando lembrei do que tenho de mais valioso, o dinheiro.
- Quanto você quer para me esquecer de vez? - Meus olhos estavam fixos nos dele.
- Como é que é? - Sua expressão era de dúvida.
- Me diga quanto você quer para sumir da minha vida agora. 3 mil? 5 mil? 10 mil? - Tirei meus braços dos dele e fui em direção ao carro para pegar um talão de cheque dentro da bolsa.
- Você está ficando louca? Quer me comprar assim na cara dura? - O motoqueiro secreto, cujo nome não sabia e não me interessava, andou em minha direção com uma cara duvidosa. Bobinho...queria o dinheiro, mas estava se fazendo de difícil.
- Tome esse cheque. Aqui tem 20 mil reais pra você. Some da minha vida a partir de agora, ou ao invés de dinheiro, você ganha um caixão. - Joguei o cheque no peito dele que foi caindo lentamente no chão.
O motoqueiro ficou me olhando assustado enquanto eu entrava no carro e dava partida para um lugar qualquer. Olhei pelo retrovisor e ele havia pegado o cheque no chão e ido embora. Naquele momento descobri que poderia tudo.
Sim... minha personalidade era forte, ou ruim, julgue da forma que acharem melhor. Meus pais ficaram velhos então decidi coloca-los num asilo, pois não tinha paciência pra cuidar deles. Viajei por várias cidades do mundo, até que conheci Blond, um sueco que mudou minha vida. Mudou do "Vinho Tinto Chateau Margaux" para a água.
Abro meus olhos e me deparo com um espelho de uma loja, mas dessa vez não estou experimentando uma roupa de marca boa. Estou do lado de fora dela, me olhando em um reflexo. Minha blusa e calça parecem dois sacos grandes de arroz que cortei para vestir, além disso tenho uma touca e luvas de crochê pra me proteger do frio. Minha bota já está bem gasta e minha pele suja, pois faz dias que não banho. Na minha mão direita tenho um saco de farinha grande, mas dentro tem algumas mudinhas de roupa, comidas que compro com o dinheiro apurado das pessoas e objetos pessoais. No meu braço esquerdo está Toby, meu único companheiro nessa vida cruel.
Olhando para minha imagem, com uma feição sem vida, e lembrando de como tinha uma vida de princesa, percebo que ela é dura com aqueles que são ruins de alma e coração. Hoje arrependo-me por ter sido uma das piores pessoas do mundo, por ter plantado a discórdia, arrogância, o ódio, a inveja, impureza e qualquer outro sentimento negativo. A vida hoje me mostra que o dinheiro é status e que precisamos diariamente sobreviver para viver.
Coloco Toby no chão e saio andando pela rua, parando em cada ponto de lixo para encontrar algo bom.
Marcus Rafael R. L. Vieira
Estou de olhos fechados e a única coisa que consigo imaginar é o quanto era maravilhosa. Claro! Faço parte da família Cantanhede. Meu pai, um médico bem sucedido, e minha mãe, juíza, sempre me proporcionaram uma vida boa e de bons estudos. Lembro-me de que vestia as melhores roupas pra ir a escola, e minhas amigas me invejavam muito, pelo menos era o que parecia. Aquilo me deixava feliz e poderosa.
Um dia fui à escola com uma blusa, recém-comprada das férias que passei na Disney, e uma saia rodada. Minhas meias eram de unicórnios bem fofinhos, o que chamou bastante atenção das meninas. Meu cabelo balançava bastante quando caminhava. Quando as meninas me olhavam com a boca entreaberta, o meu eu interior explodia de emoções. E os meninos? Fazia o maior sucesso com eles, mas não irei me aprofundar nesse assunto.
Pela vida magnifica e confortável que minha família me deu e momentos como esses de superioridade que me fez ser quem sou hoje. Minha personalidade sempre foi forte por conta do dinheiro que sempre tive, pois achava que era melhor que todos. Sim, sempre comprei as pessoas e dava certo.
Uma certa vez estava dirigindo pela cidade quando resolvi avançar o sinal vermelho. Infelizmente, um carro parado do lado direito tapou minha visão e atropelei uma senhora que estava atravessando a faixa de pedestre. Fiquei sem reação e fugi do local rapidamente, no entanto um rapaz, que estava de moto, me seguiu até a entrada da minha casa. Ele encurralou-me no momento que desci do carro.
- Como você é capaz de fugir do local do acidente a sangue frio? - Ele tirou o capacete indo em minha direção para me segurar.
- Me solta! - Tentei fugir de suas mãos, mas ele era mais forte - Eu iria ser presa se ficasse no local. Ninguém sabe onde moro. Eu fugi pra me proteger. - Minha respiração era ofegante e medrosa.
- Vou chamar a polícia agora, você cometeu um crime e fugiu a sangue frio.
Nesse momento fiquei desesperada e a única coisa que passava pela minha cabeça era sair dali de forma impune. Olhei fixamente para ele e tentei me acalmar, foi quando lembrei do que tenho de mais valioso, o dinheiro.
- Quanto você quer para me esquecer de vez? - Meus olhos estavam fixos nos dele.
- Como é que é? - Sua expressão era de dúvida.
- Me diga quanto você quer para sumir da minha vida agora. 3 mil? 5 mil? 10 mil? - Tirei meus braços dos dele e fui em direção ao carro para pegar um talão de cheque dentro da bolsa.
- Você está ficando louca? Quer me comprar assim na cara dura? - O motoqueiro secreto, cujo nome não sabia e não me interessava, andou em minha direção com uma cara duvidosa. Bobinho...queria o dinheiro, mas estava se fazendo de difícil.
- Tome esse cheque. Aqui tem 20 mil reais pra você. Some da minha vida a partir de agora, ou ao invés de dinheiro, você ganha um caixão. - Joguei o cheque no peito dele que foi caindo lentamente no chão.
O motoqueiro ficou me olhando assustado enquanto eu entrava no carro e dava partida para um lugar qualquer. Olhei pelo retrovisor e ele havia pegado o cheque no chão e ido embora. Naquele momento descobri que poderia tudo.
Sim... minha personalidade era forte, ou ruim, julgue da forma que acharem melhor. Meus pais ficaram velhos então decidi coloca-los num asilo, pois não tinha paciência pra cuidar deles. Viajei por várias cidades do mundo, até que conheci Blond, um sueco que mudou minha vida. Mudou do "Vinho Tinto Chateau Margaux" para a água.
Abro meus olhos e me deparo com um espelho de uma loja, mas dessa vez não estou experimentando uma roupa de marca boa. Estou do lado de fora dela, me olhando em um reflexo. Minha blusa e calça parecem dois sacos grandes de arroz que cortei para vestir, além disso tenho uma touca e luvas de crochê pra me proteger do frio. Minha bota já está bem gasta e minha pele suja, pois faz dias que não banho. Na minha mão direita tenho um saco de farinha grande, mas dentro tem algumas mudinhas de roupa, comidas que compro com o dinheiro apurado das pessoas e objetos pessoais. No meu braço esquerdo está Toby, meu único companheiro nessa vida cruel.
Olhando para minha imagem, com uma feição sem vida, e lembrando de como tinha uma vida de princesa, percebo que ela é dura com aqueles que são ruins de alma e coração. Hoje arrependo-me por ter sido uma das piores pessoas do mundo, por ter plantado a discórdia, arrogância, o ódio, a inveja, impureza e qualquer outro sentimento negativo. A vida hoje me mostra que o dinheiro é status e que precisamos diariamente sobreviver para viver.
Coloco Toby no chão e saio andando pela rua, parando em cada ponto de lixo para encontrar algo bom.
Marcus Rafael R. L. Vieira
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