NOITE MAL DORMIDA


Já eram 05h00min, de um domingo, e não conseguia pregar os olhos para dormir. Minha cabeça estava latejando de dor por tamanha preocupação que estava. Karla, minha filha, saiu na noite anterior com uns amigos para uma festa e ainda não havia chegado em casa. O que era estranho, pois sempre que dormia fora ligava avisando, ou deixava uma MSG no celular.

Eu andava de um lado para o outro e sempre que podia olhava para o relógio, que já marcava 05h10min naquele momento. Peguei o celular, que estava com a bateria fraca de tanto mexer, e liguei para Karla, mas novamente deu fora de área. Meu coração gelava de preocupação, me fazendo dar tapas leves no peito para poder diminuir a angústia que estava sentindo.

Fui em direção a janela para olhar o movimento da rua, quando ouço o telefone tocar do outro lado da sala. Apressei os passos, pois poderia ser minha filha pedindo por ajuda.

- Alô? - A voz tinha um tom grosso - Alô, Sra. Mandy?
- Oi... alô... aqui quem fala é ela! Pode falar! - Fiquei nervosa ao ouvir alguém que não fosse Karla.
- Aqui é o agente Pedro da policia militar de Aurora. Estou ligando para saber se você é a mãe de Karla.
- Sim, sim, sou eu. O que houve com minha filha?
- Peço que tenha calma nesse momento. - Seu tom de voz pareceu seco, preocupado, tímido e triste. Meu intuito de mãe dizia que algo de ruim aconteceu - Sinto lhe informar, mas sua filha foi encontrada sem vida e com marcas de agressão por todo o corpo, dentro de um matagal próximo a uma casa de festa. Além dela, outras duas pessoas foram encontradas, um garoto de 20 anos e uma jovem de 20 anos. Suponho que ambos sejam da mesma idade que sua filha, a Karla.

Nesse momento fiquei sem chão. Não conseguia respirar ou pensar em nada. Minha filha está morta. Minha filha foi espancada e assassinada. Minha filha está morta.

Nesse momento meus olhos começaram a transbordar em lágrimas. Meu coração "gritava" de dor, pois havia perdido a pessoa mais especial da minha vida. Meus olhos estavam fechados quando o soluço começou a aparecer. O que sentia naquele momento era algo atordoante, triste, sofrido e magoado. Minha respiração estava ficando ofegante e rápida.

Tentei me acalmar. Abri os olhos lentamente e tudo estava confuso na minha cabeça. Levei a mão ao rosto e o senti molhado. Virei a cabeça pro lado e vi o despertador, que estava em cima do criado mudo, marcar 05h30min de uma quarta-feira. Coloquei a mão na cabeça, fechei os olhos, respirei fundo e agradeci a Deus por aquilo ter sido somente um pesadelo.


Marcus Rafael R. L. Vieira

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